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sábado, 24 de dezembro de 2011

nunca

amanhã, é o dia do parto,

não fico mais aqui
amanhã eu parto;

deixo minha chave da casa,
esqueço meu quarto;

pega umas coisas embaixo da asa,
deixo teu retrato;

por que, amanhã, eu parto!


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O outro lado


Nado no azul deste céu
Vôo no azul deste mar

Nuvens são ondas do céu
Encontro estrelas no mar

Vou navegar num cometa
E entre as estrelas brilhar

Feliz, flutuar, olhando
A lua cheia no mar

Depois, num sono sem sonhos
Quando o meu tempo findar

Vou mergulhar no horizonte
Onde o céu encontra o mar

Assim deixo amores, risos e dores
Para mais livre ficar

Só quero levar comigo
Quando esse dia chegar

O claro luzir das estrelas
E o suave barulho do mar

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Salão Vazio

E agora, o que fazia ali? 
Ela pergunta ao pó...
Não faz mais sentido voltar,
Diz à teia de aranha vazia na parede
Então espera, em silêncio
O eco responder...
O sopro do vento balança a cortina
E apaga a vela.
Seu coração estremece.
Reluzem no chão, refletindo a lua
Pequenos pedaços de vidro 
Aos pés de um retrato partido
Cuja foto, em preto em branco, 
Há muito desgastada
Lentamente, parecia desaparecer ...
Quem posava ao seu lado?
Não saberia mais dizer.
E isso era tudo o que restava
Daquele imenso salão abandonado.
Passo a passo, devagar, 
Sem direção, com atenção
Como se lá estivesse pela primeira vez
Alcança, finalmente
Um espelho enferrujado...
Ah! Como mudam, com o tempo
Os reflexos do passado...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Levantar, carregar, apoiar, empurrar


Levantar, carregar, apoiar, empurrar! Levantar, carregar, apoiar, empurrar!

Ah! chega, preciso de uma folga, tomar um ar, um sol. Afinal, por que elas não podem receber luz? Nem uma janela que seja pra que pelo menos saia esse cheiro ruim. Me dá dor de cabeça.

Levantar, carregar, apoiar, empurrar! Malditas caixas. O pior é que não consigo descobrir o que protegem, não posso deixar cair e nem apoiar de outro jeito a não ser “este lado para cima”. Só tem um aviso de “frágil”.

Será que escrevendo “frágil” na minha coluna o patrão me dá um alívio? Tá, vai sonhando... Aquele lá só pensa no dinheiro, e quanto mais ganha menos paga!

Levantar, carregar, apoiar, empurrar! Ainda falta meia hora pra hora do almoço... Acho que vou ficar um pouco mais pra que a parte da tarde seja mais curta. Assim a hora de ir chega mais rápido.

Terminando essa fileira eu paro e vou tomar uma água, não aguento mais!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

first part of the serie "The Real Musical Instruments"

double bass 1

                                                                      double bass 2
                                                                 electric guittar

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Melodia

De repente aparece no brilho do olhar
Que se abriu instintivamente

No escuro, ressurge e fulgura o ar
Uma força que sente e transcende

Onde tudo adormece, põe-se a dançar
Pulsante ardor que ascende.

Definí-la, não sei. Quem há de saber ?
É algo além do pensar.

Sentido, não tem. Por que querer ver
O impossível de se enxergar ?

domingo, 24 de julho de 2011

vai vida

a vida vem a vida vai
a minha, a da mãe e a do pai

minha vida passa
meu coração corre
meu amor morre

nem q a dor melhore
eu, tu, ele, tudo
morre